Por: Edmundo Escrivão Filho

A sociedade é constituída por organizações. Pessoas nascem, trabalham, se divertem e morrem dentro delas, consequentemente, a vida das pessoas depende da existência de determinadas organizações. Dessa forma, o estudo e o conhecimento da administração são essenciais para a existência e manutenção da sociedade.

Administração é a área de conhecimento que estuda e sistematiza o processo de gestão de uma organização. A definição amplamente divulgada diz que administrar é o processo de realizar com coisas com e através de pessoas de forma eficiente e eficaz. A administração é realizada a partir da mobilização de pessoas, por meio das quais os planos são estabelecidos, os recursos gerenciados, as pessoas lideradas, as atividades controladas e as metas alcançadas.

O ato de administrar tem sido realizado de diferentes maneiras ao longo da história. Diversas explicações foram desenvolvidas sobre a forma de mobilizar pessoas, cada uma com uma abordagem específica. Todas essas explicações trazem alguma contribuição ao campo da Administração. Elas possibilitam aprender com experiências passadas e entender como a administração chegou ao que ela é hoje. Aprender como a história da administração suporta a tomada de decisão dos gestores proporciona a melhoria do processo de gestão e o aprimoramento da criação de valor aos clientes.

Ao recorrer à literatura administrativa, nos deparamos não com uma “Teoria Geral da Administração”, mas com um emaranhado de teorias, modelos, abordagem e enfoques que dificultam o entendimento do assunto.

As classificações das ideias administrativas mais relevantes variam de acordo com critérios utilizados por cada autor, criando uma “Selva de Teorias” de Administração, pois envolvem numerosas teorias, ampla interdependência entre elas, implicando consequentemente em grande complexidade e alto grau de dificuldade de compreensão conceitual e de aplicação prática.

Dada a relevância do conhecimento e da aplicação das teorias de administração, vários autores buscaram criar propostas de simplificações, muitas vezes incorrendo em um reducionismo com perda de conteúdo e, ainda mais grave, sem comunicar a mensagem central do desenvolvimento das teorias nesses 120 anos do moderno pensamento administrativo. O esforço de simplificação amplamente divulgado nos livros didáticos é o da apresentação das teorias de administração pelo critério cronológico, mas, ainda, com compreensão confusa da mensagem central do desenvolvimento do pensamento administrativo.

Essa complexidade é artificial, pois o número e a diferenciação das teorias têm uma descrição irreal do desenvolvimento das teorias. O critério de simplificação da complexidade não é cronológico, mas histórico, dando ao contexto político, social, econômico e tecnológico, papel relevante na construção e explicação das ideias de administração. Passa-se, assim, da história dos grandes pensadores, embora sem deixar de reconhecer as contribuições seminais, para a história da construção social das ideais e da realidade administrativa.

Para a abordagem histórica, torna-se “imprescindível (e conveniente) recorrer aos recortes para refletir sobre a história”, sendo um recorte possível o temporal. Ao reconhecer a influência do contexto histórico no desenvolvimento do pensamento administrativo adota-se os recortes temporais (períodos) tanto dos eventos políticos, sociais, econômicos e tecnológicos, como dos conceitos centrais de administração. Tais períodos são denominados de Movimentos do Pensamento Administrativo.

Movimento (de ideias) pode ser conceituado como uma “corrente do pensamento que caracterize evolução artística, histórica, filosófica, social etc., por exemplo, movimento romântico, movimento realista, movimento surrealista”. Desta forma, Movimento “consiste num grande número de ideias e de trabalho intelectual em um determinado tempo e espaço”, implicando em “mudança no viver e pensar dos povos”, ou mais precisamente, referindo ao “comportamento coletivo à procura de uma nova maneira de viver; origina-se num período de inquietação social e se organiza pela adoção de um objetivo comum”. Portanto, um Movimento caracteriza-se por “uma situação na qual as pessoas mudam suas opiniões ou o modo que vivem ou trabalham, sendo a situação um conjunto de coisas que estão acontecendo e as condições que existem em um tempo e lugar particular”. Em consequência, “mais frequentemente as ideias definidoras de qualquer movimento são padrões sobre os quais pensadores individuais desenvolvem suas próprias ideias”.

Reconhecida a influência do contexto e suas transformações, dando origem aos períodos históricos e às ideias definidoras (Movimentos), há de se reconhecer o esforço de perpetuar ideias próprias que transpassam os períodos históricos. Essas ideias são denominadas de Escolas de Administração.

Escola refere-se a uma “doutrina ou sistema de ideias (filosófico, teológico, estético, artístico, científico, estilístico etc.) de um grande criador ou grupo de autores (escola de Nietzsche, escola de Viena) ou ao conjunto de pessoas que se filiam a um desses sistemas”. Ou ainda, Escola de pensamento compreende-se como “um conjunto de ideias ou opiniões que um grupo de pessoas compartilha sobre determinado assunto”. Portanto, Escola de pensamento tanto se refere a um “sistema, doutrina ou tendência de pensamento de pessoa ou grupo de pessoas que se notabilizou em algum ramo do saber” e também a um “qualquer grupo de pensadores cujas teorias estão em sintonia e os quais juntam forças para promover suas doutrinas”.

O pensamento administrativo moderno pode então ser divido em cinco grandes movimentos: 1-Movimento da Racionalização do Trabalho, 2-Movimento das Relações Humanas, 3-Movimento Estruturalista Sistêmico, 4-Movimento da Contingência e 5-Movimento Contemporâneo.

Cada Movimento, por sua vez, é formado por Escolas representadas por um conjunto de autores que adotaram, dentro da mesma Escola, os mesmos pressupostos para diagnóstico e mesmos princípios para solução dos problemas administrativos. Embora as Escolas se delimitem no mesmo período, os pressupostos e os princípios ultrapassam as fronteiras dos Movimentos, unindo Escolas em diferentes Movimentos. Essa ligação de Escolas em diferentes Movimentos reflete os esforços de atualização de autores em diferentes épocas, mas de mesma linha de pensamento.

Saiba mais com a leitura de Introdução à Administração.

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